Depois do coronavírus, há outro a surgir

Os especialistas estão a tentar acalmar o pânico provocado pela possível chegada do hantavírus, uma nova pandemia que se juntaria à do coronavírus. O alarme surgiu na sequência da morte de um chinês, vitimado pelo vírus. O homem, da província de Yunnan, morreu enquanto viajava num autocarro, a caminho do trabalho, o que levou a que as 32 pessoas que seguiam com ele fossem testadas.

As autoridades chinesas abriram uma investigação e a cidade de Lincang, de onde era o homem – cujo teste para coronavírus deu negativo – acionou um sistema de controlo para prevenir a doença. O primeiro caso de hantavírus ocorreu na Coreia do Sul, em 1978. Na China, as infeções são mais comuns do que nos Estados Unidos, mas ainda pouco comuns. Colleen B. Jonsson, virologista e especialista em hantavírus, diz que cerca de 75 mil pessoas na China são afetadas anualmente e que mesmo assim a doença se enquadra na definição de rara.

Mosquitos, pulgas e carraças
Segundo a Organização Mundial de Saúde, o hantavírus é uma doença que se transmite entre animais e humanos, sendo os ratos os principais portadores. Os sintomas são parecidos com os gripais e de alguma forma com os do coronavírus: fadiga, febre, dores musculares e de cabeça, tonturas, calafrios e problemas gastrointestinais. Quando os pulmões se enchem de líquido pode haver tosse e falta de ar. A doença pode manifestar-se 42 dias depois da infeção, podendo chegar aos 56.

A forma de contágio mais frequente é por inalação de ar contaminado, mas igualmente pelo contacto com os excrementos e a urina dos roedores, através dos olhos, nariz e boca. Outra via é a da mordedura pelos animais. Os mosquitos, as pulgas e as carraças também podem transmitir o hantavírus, que tanto pode ocorrer em ambientes rurais como nas grandes cidades. Não existe vacina nem tratamento específico, mas os pacientes que tiverem insuficiência respiratória devem ser assistidos nos hospitais que estejam equipados com cuidados intensivos.