Médica do Curry Cabral fez apelo nas redes sociais

A médica Filipa Bargado apelou à recolha de material, como TNT, campos cirúrgicos e elástico de cinco milímetros. O objetivo é fazer cógulas de proteção para os profissionais de saúde.

A “espécie de carapuço” que se vê nas imagens dos profissionais de saúde nos hospitais é o artigo “complicado de arranjar”, a que a médica Filipa Bargado se refere no vídeo. As cógulas servem para proteger a cara e a região cervical dos profissionais que estão na “linha da frente” no combate à Covid-19. São colocadas em cima dos óculos e da máscara e por cima é posta a viseira, explicou.

Na publicação, a médica do Hospital Curry Cabral, em Lisboa, pediu material para a produção das cógulas. Referia-se a Tecido Não Tecido (TNT) com gramagem superior a 70 gramas, a campos cirúrgicos e a elástico de cinco milímetros.

O vídeo teve quase 8 mil partilhas em 24 horas. Foi publicado na quinta-feira à noite, no Facebook pessoal da médica Filipa Bargado.

A AJUDA QUE CHEGA DE VÁRIAS PARES
As cógulas para o Hospital Curry Cabral começaram a ser feitas há dois dias pela escola de costura Maria Modista. A proposta foi feita pela médica Filipa, também aluna da escola, depois de ter visto no Instagram que estavam a testar as cógulas e outros equipamentos de proteção.

A responsável pela escola, Filipa Bibe, explicou à SIC Notícias que os artigos estão a ser feitos a partir de casa por uma equipa, várias alunas e seguidoras da página de instagram da Maria Modista. São depois recolhidas pela Filipa ou pelas médicas e enfermeiras. Só na quinta-feira foram entregues 150 a três hospitais. Além disso, a Nomalist e a Posturarte também doaram Tecido Não Tecido à escola, que vai sendo distribuído pelos vários pedidos.

“Mão-de-obra não falta. Já não conseguimos saber o número porque cada pessoa que descarregue o molde está a fazer e a entregar a médicos e enfermeiros que conhece”, contou Filipa Bibe.

Os moldes – feitos pelas professoras Verónica e Sandra – foram testados pelas equipas de quatro hospitais. Depois de aprovados, a Maria Modista disponibilizou-os no website da escola.

O primeiro-ministro admitiu, numa visita ao Hospital Curry Cabral, em Lisboa, que existe uma “procura universal” pelo material de proteção individual. No entanto, garantiu que o Governo está a encomendar o material necessário. Já o diretor do serviço de Infecciologia do hospital afirmou, em declarações aos jornalistas, não haver falta de material individual na unidade.

Na mesma visita, António Costa avançou que o Curry Cabral, o primeiro hospital de referência para a Covid-19 na capital, poderá vir a dedicar-se exclusivamente à doença. O hospital, que está a fazer cerca de 200 testes por dia, tem capacidade para 300 camas caso a pandemia evolua.