Secretário de Estado: Os Pássaros do Montijo “não são estúpidos” e podem adaptar-se

A construção do aeroporto do Montijo tem gerado alguma controvérsia, colocando o Governo e os ambientalistas frente a frente. O secretário de Estado adjunto e das Comunicações, Alberto Souto de Miranda, apontou, num artigo de opinião no jornal ‘Público’, os sete elementos pelos quais o Montijo deve ser considerado como “uma opção de futuro”, sendo que os pássaros da zona “não são estúpidos e é provável que se adaptem”.

O estudo de impacto ambiental realizado para saber se seria seguro fazer o segundo aeroporto na zona sul do Tejo apontou que as aves estariam em risco, embora tenha oferecido medidas alternativas para que estas não fossem tão afetadas pelos motores das aeronaves em circulação.

No sexto ponto da sua opinião, Alberto Souto de Miranda defende que foram confrontados com o risco de desaparecimento dos caranguejos, uma vez que estes circulam de forma lenta. “Um dos riscos do projeto é o da mortandade provável dos ditos que, porque lentos, talvez não consigam fugir a tempo das máquinas…”, lê-se na coluna de opinião do secretário de Estado, acrescentando que aqui “é o princípio da precaução levado ao risível”.

“Mais sério é o bird strike, risco conhecido em vários aeroportos e com medidas mitigadoras em todos. Não há aeroportos sem impactos”, escreve Alberto Souto de Miranda, assumindo que “os caranguejo podem ser lentos, mas não estão em extinção. É um impacto não mitigável”.

Escrevendo ainda sobre as aves afetadas pela construção naquele local, o secretário de Estado escreve que “os pássaros não são estúpidos e é provável que se adaptem”, adiantando que estes devem encontrar outras rotas migratórias como alternativa ao Estuário do Tejo.

O artigo de opinião surge no mesmo dia em que a associação para a defesa das aves dos Países Baixos avançou com uma petição em defesa do maçarico-de-bico-direito, avança a rádio TSF. Esta ave é um símbolo dos Países Baixos e segundo a associação poderá estar em risco por causa da construção do aeroporto do Montijo. Os maçaricos-de-bico-direito viajam entre África e os Países Baixos com paragem para descanso no estuário do Tejo.

Alverca “é uma obsessão”

No início do texto, o secretário de Estado faz ainda referência ao “grupo de Alverca”, que pretende que o aeroporto seja instalada na zona que dá nome ao grupo, apontando que este mesmo grupo “tem prestado um péssimo serviço ao país” por causar “alarmismo e a ocultação dolosa de verdades técnicas”.

Alberto Souto de Miranda volta a sustentar que “Alverca não é opção. É uma obsessão”. “Confrange-me, sinceramente, até pela admiração que tenho por alguns dos oito subscritores, vê-los a emprestarem o prestígio do seu nome a uma opção flagrantemente falhada pelas mais elementares regras de projeto”, lê-se no texto escrito no ‘Público’.